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Uma visita a Manchester neste domingo!

Este domingo, 15 de junho de 2025, tive o prazer de visitar Manchester a convite do Decano da Catedral de Manchester e do Cônsul de Portugal.


A ocasião foi o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, assinalado com o hastear da bandeira portuguesa numa cerimónia organizada pelo Consulado-Geral de Portugal em Manchester. Estiveram presentes cerca de 250 pessoas, entre convidados, representantes do poder local, o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, o Cônsul-Honorário da Irlanda do Norte, eu própria como Presidente da Câmara de Thetford, Carla Barreto, e muitos representantes da comunidade portuguesa residente na área consular.


A ligação entre Portugal e a Catedral de Manchester remonta a 2017, quando a artista portuguesa Cristina Rodrigues criou sete tapeçarias para os altares deste belíssimo templo inglês, todas bordadas em Castelo Branco. Segundo o folheto entregue à entrada, “nos últimos anos, a parceria aprofundou-se, com visitas regulares de presidentes de câmara, intercâmbios universitários entre a Manchester Metropolitan University e um instituto politécnico em Portugal, e uma residência artística para estudantes em Manchester”.


Para dar início à noite, subiu ao palco o Reverendo Rogers Govender, Decano de Manchester e decano da Catedral. É um sul-africano negro de ascendência indiana e foi nomeado para o cargo em 2005, tornando-se o primeiro decano negro da Catedral de Manchester. Referiu-se à tradição de hospitalidade, diversidade e laços multiculturais da Catedral e da cidade ao longo dos séculos, dando as boas-vindas a todos os presentes e destacando a presença do Presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, e do Cônsul-Geral de Portugal em Manchester, Duarte Bué Alves.

Agradeceu a presença de todos e deu início ao espetáculo, que começou com a interpretação de uma dança a solo por Lucy Wilson-Knight, acompanhada por João Luís no saxofone e clarinete, e Gema Lu Cai ao piano.


DANÇA A SOLO AO SOM DE SAXOFONE, CLARINETE E PIANO


No centro, no silêncio reverente do espaço, uma figura solitária permanece imóvel, envolta numa luz suave, quase líquida. Quando o som do saxofone se eleva como um sussurro quente, deslizando pelo ar como se de um segredo ao entardecer se tratasse, a bailarina deixa cada nota escorregar pelo corpo, que responde com movimentos longos e fluidos, como se dançasse com o próprio sopro do instrumento.


Há algo de íntimo e cru naquele início: os gestos não são amplos, mas profundamente intensos, como se cada célula do corpo se curvasse à melodia. As mãos desenham trajetórias no ar; os pés, quase sem tocar o chão ou em bico, traçam caminhos de silêncio entre os compassos. O saxofone chora, e o corpo responde como uma chama que se curva ao vento do sopro. Um momento onírico simplesmente incrível.


Depois, entram em cena o piano e o clarinete, assumindo o discurso, o primeiro com uma musicalidade teatral, e a dança transforma-se, seguindo escrupulosamente o lirismo sonoro. O corpo, antes contido, agora expande-se, abre-se rápida ou lentamente: complacente e expressivo. Há um jogo entre leveza e peso, entre queda e ascensão. A música conduz, mas agora o corpo também guia, como se os três, piano, clarinete e bailarina, estivessem num só diálogo de almas, e não apenas de formas. Uma atuação coroada por calorosos e prolongados aplausos…


ATUAÇÃO DO QUINTETO DE SOPROS DE CASTELO BRANCO


O quinteto de sopros da Sinfonietta de Castelo Branco apresentou-se com uma elegância contida, onde cada músico assumiu o seu lugar com a solenidade de quem domina profundamente a linguagem partilhada. Flauta, oboé, clarinete, fagote e trompa entrelaçaram-se num diálogo fluido, revelando um raro equilíbrio entre individualidade e coesão. A flauta cintilou com leveza aérea, o oboé cantou com timbre penetrante, o clarinete serpenteou com agilidade expressiva, o fagote ancorou o conjunto com profundidade terrosa e a trompa uniu todos os timbres com uma nobreza aveludada. A escuta entre os músicos foi atenta, quase telepática, criando um tecido sonoro que respirava com naturalidade e precisão. O repertório desenrolou-se como um percurso lógico e interligado.


Ora clássico, ora contemporâneo, destacou-se sempre pela clareza das intenções e pela elegância da execução. Nos trechos ágeis, a articulação foi limpa, quase dançante; nas passagens líricas, a expressividade surgiu com discrição, mas com um calor emocional que nunca se impôs, apenas se insinuou e envolveu. Foi uma atuação onde o virtuosismo esteve ao serviço da música, e não da exibição, marcada por uma contenção poética que transformou os silêncios entre peças numa parte essencial da experiência. Ficou a sensação de se ter presenciado não apenas um concerto, mas um encontro sensível entre sopros, espaço e escuta. Uma apresentação digna dos prolongados aplausos que recebeu.


DESCRIÇÃO DO INTERIOR DA CATEDRAL


Ao entrar na catedral, impressiona desde logo a altura do teto, com as suas magníficas abóbadas em estilo perpendicular, sustentadas por pilares de pedra ornamentados. A luz que atravessa os vitrais coloridos, muitos restaurados após a Segunda Guerra Mundial, projeta tons suaves e místicos sobre o chão de pedra e as colunas, criando um ambiente quase etéreo.

Segundo os especialistas, “durante os eventos musicais, o espaço é transformado com uma iluminação cénica que destaca a arquitetura gótica com toques modernos: feixes de luz colorida projetam-se nas nervuras do teto e nos detalhes das janelas, criando um jogo dramático de sombras que valoriza a acústica natural da nave central”.


Foi-nos explicado que os bancos tradicionais de madeira podem ser removidos ou reorganizados consoante o tipo de concerto. No lugar do altar ou em frente ao coro instala-se um palco, geralmente discreto, para preservar o carácter sagrado do local. A acústica da catedral é excecional, permitindo uma sonoridade límpida e ressonante, ideal tanto para música clássica como para performances contemporâneas.


Os elementos históricos, como os entalhes em madeira do coro e os brasões esculpidos, permanecem como pano de fundo solene, contrastando com os modernos equipamentos de som e luz utilizados nos eventos. Este contraste cria uma atmosfera única, um verdadeiro diálogo entre o passado espiritual e o presente artístico.

A capela interior é verdadeiramente divina, preservada ao longo dos séculos. Entrar nela é como penetrar num mundo distinto e solene, onde os tons escuros contrastam com as tapeçarias de Cristina Rodrigues, um toque português que recua no tempo e se insere na arquitetura secular do templo. Uma visita quase obrigatória para todos os que tenham oportunidade de conhecer a cidade de Manchester!

 

O evento assinalou também o fim do mandato do Cônsul Duarte Bué Alves em Manchester. A cidade não poupou esforços para demonstrar o seu apreço pelo trabalho desenvolvido em toda a Irlanda do Norte, Escócia, Norte de Inglaterra e País de Gales. Em sinal de reconhecimento, a bandeira portuguesa foi hasteada no topo da catedral durante três dias. Tem sido um verdadeiro diplomata, reunindo-se com presidentes de câmara, câmaras de comércio, universidades, instituições religiosas, entre outros. Tenho orgulho em chamá-lo de amigo.

Esta visita foi igualmente uma excelente oportunidade para reforçar os laços com as regiões do norte e promover Thetford junto dos presidentes de câmara da Grande Manchester e do Lord Mayor de Manchester.


Após a troca de ideias e contactos, desfrutámos do ambiente vibrante de uma das maiores catedrais do Reino Unido, que possui a nave mais larga. A noite foi preenchida por um espetáculo encantador de ballet, piano e um jovem quinteto de sopros, cuja música, enriquecida pela acústica perfeita da catedral, nos transportou a todos.


Representar a nossa cidade num cenário tão prestigiado foi uma honra. Foi uma oportunidade para destacar o potencial de Thetford, discutir investimentos privados vindos da Europa e valorizar os nossos negócios locais.


Espero deixar os thetfordianos orgulhosos ao elevar o reconhecimento do verdadeiro potencial da nossa cidade e atrair visitantes para o nosso tesouro histórico. Acompanhe o nosso site e redes sociais para mais atualizações sobre os próximos eventos!

 




 
 
 

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